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Dossiê dos Excluídos do Casarão (inserção)

Janete Sanchez da Rosa - família nº 5 - 09/01/2002

Mas posso escrever um pouco de cada um dos chefes das 9 famílias:

Família nº 1: A provedora é uma senhora de idade que perdeu sua família, não tem nenhum amparo social, não tem nenhum tipo de renda, mas sua solidariedade é muito grande, pois já deu abrigo em sua peça a 4 famílias diferentes, que já saíram do local. Tem dificuldade em largar a dependência do álcool. Já observamos que sente necessidade de ter uma família, pois uma dessas que abrigou conseguiu lhe proporcionar alegria de viver, com 2 filhos menores que alegravam a peça em que reside. A senhora passou aquela época sem usar uma gota de álcool sequer! As crianças a faziam sentir-se bem e até se responsabilizava por elas. Desde que essa família se foi, a tristeza e a solidão voltaram a lhe acompanhar, pois já não se sente útil a ninguém.

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Família nº 2: O provedor é filho da provedora da família nº 3. É um rapaz de maior idade que mora com uma irmã de menor idade. Ela tem uma filha que está completando 1 ano. O provedor tem habilidade em artesanato e a profissão de eletricista montador. Seu sonho é conseguir exercer a profissão. Sua irmã adolescente tem permanecido no estudo e começa a tirar cursos através do apoio do Programa Família Cidadã. Já percebi que tem grande habilidade como instrutora recreativa infantil. Acho que falta a esses jovens acreditar que podem ingressar na sociedade. É só dar-lhes oportunidades.

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Família nº 3: É provedor um casal de maior idade que é parente do provedor da família nº 2 (mãe e padrasto). Residem em suas dependências um adolescente e uma menina de maior idade. A mãe provedora já completou cursos de corte e costura, tricô, cozinha alternativa, economia doméstica, tapeçaria, bordado, pintura em tecido e artesanato. Seu companheiro tem registro de garçom e o sonho (que já está encaminhando) de tirar a carteira de motorista. Os provedores estão completando seus estudos. A filha de maior idade tem curso de malharia e computação (já tem diploma) e o adolescente está estudando e tentando se encaixar em cursos. A família tem apoio do Programa Família Cidadã.

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Família nº 4: São provedores 3 irmãos que já completaram a maior idade. Não têm renda fixa alguma. Somente um tem companheira fixa, que está grávida. Os outros dois são solteiros. Todos têm dificuldade em largar a dependência química do Solvicril, conhecido como loló, mas querem muito acreditar que terão oportunidade de uma vida sadia. Já tiraram algum curso. O provedor responsável (o mais velho) tem o sonho de conseguir iniciar e completar um curso de pintura de quadros e desenhos. O outro provedor tem o sonho de completar o curso de marcenaria. Já participou de algumas aulas no tempo em que teve uma passagem pela FEBEM, mas não pôde terminar. O outro provedor, no momento, gostaria de ter a certeza de que é útil à sociedade, pois tem que superar a grande dependência do Solvicril. E a companheira gostaria de ter estabilidade de renda para amparar o seu filho de 4 anos (de quem a vó cuida) e o outro que está por nascer. Está disponível para cursos que garantam estabilidade financeira, mas seu grande sonho é dar aula de comunicação por gestos a surdos e mudos (já sabe o abecedário).

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Família nº 5: A provedora sou eu que estou escrevendo o dossiê dos excluídos. (Fico embaraçada, tenho que escrever sobre mim e minha família, mas vamos lá!) Sou de maior idade, tenho 2 filhos de menor idade, não tenho renda alguma, não tenho conseguido mais fazer bicos como florista. Foi com todos os problemas com que me deparei que consegui perceber o que realmente faltava para uma vida melhor no meio em que moro e para tentar estabilizar o futuro de meus filhos, para não caírem em erros na sociedade. Aí me veio a vontade de procurar saber quais eram os grandes problemas que haviam no local e procurar auxílio, por não querer cometer delitos de nenhuma forma. Por isso me dispus a escrever, procurar os problemas que nos cercam e tentar derrubar as barreiras que nos impedem de sair desta margem de vida miserável. Meu primeiro passo depois de tanto tempo sem estudar: volto às aulas em março e aguardo a oportunidade de me encaixar no NASF para poder sobreviver enquanto estudo e para cobrir alguma necessidade de meus filhos. Tive que abrir mão da sua presença permanente perto de mim por não ter renda fixa. Fiz um acordo provisório, até minha estabilidade, de que ficariam com a vó paterna, para poderem estar perto do pai e ter suas necessidades atendidas de imediato, pois criança não sabe esperar, nem deve esperar por sua estabilidade no dia-a-dia. Meus 2 filhos, que me motivam a acreditar que vou vencer essas barreiras e ter a plena alegria de ver seu crescimento e ajudá-los a se desembaraçar no seu conhecimento, foi por querer o melhor a eles que abri mão desses momentos que tenho perdido e que são de grande importância. Mas eles precisam da estabilidade, ela é muito importante também. Sempre que posso, vou vê-los. Eu os pego para ficarem próximos de mim nos fins-de-semana em que faço algum bico em comissão. Curso tenho de pintura em tecido. Volto este ano à 4ª série, que já havia completado. Por ter ficado muito tempo sem estudar, começo lá de novo. Gostaria da oportunidade de fazer algum serviço social.

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Família nº 6: É provedor um casal de maior idade que tem 2 filhos, um de maior idade e outra de 3 meses. Não têm renda fixa. Os provedores enfrentam dificuldade na área da saúde. Ela tem cursos de costureira, cabelereira, pintura em tecido, manicure, e tem a profissão (comprovada em carteira e exercício) de nutricionista. É seu grande sonho voltar a exercer seu trabalho. As barreiras sociais e a sua idade não têm deixado as portas se abrirem para ela continuar seu serviço. Seu marido já exerceu a profissão de montador de rede aérea (elétrica), durante 3 anos, mas no momento, por dificuldade, procura profissão que possa exercer em casa. O filho da provedora gostaria de voltar a estudar, tirar cursos de computação, mas sobrevive de bicos como camelô, enfrentando correrias dos fiscais.

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Família nº 7: Tem como provedora uma senhora de maior idade que é minha mãe. Tem 8 filhos, sendo 2 de maior idade e 6 de menor idade, mas sob sua responsabilidade são 4 menores. Uma menor já constituiu família e a outra, após uma crise forte de asma, agora está abrigada na FEBEM, com a guarda sendo avaliada no Fórum Central. Eu sou maior e já tenho minha família (nº 5) e sua outra filha maior também já constituiu família (nº 9). Não tem, a provedora, renda fixa, mas vai tentar vaga no NASF em fevereiro. Tem curso de pintura em tecido, crochê, costura, cabeleireira, cozinheira, mas gostaria de tirar o curso de computação para realizar seu sonho. É decoradora de flores. Trabalhou sem carteira como florista diarista por 18 anos.

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Família nº 8: É um rapaz de maior idade que vive só, por motivo de exclusão de sua família. Não tem renda fixa, mas faz bico em um carrinho de cachorro-quente à noite, tendo pagamento por noite trabalhada. Por ser solitário, não deve ter completa felicidade. Mas já superou a dependência do Solvicril. Pela procura de sobreviver desde pequeno, não pôde completar o 1º grau de escolaridade, mas leva jeito para realizar seu grande sonho de fazer teatro, artes cênicas. Já fez alguns cursos de artesanato.

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Família nº 9: A provedora, de maior idade, é filha da provedora da família nº 7 e irmã da provedora da família nº 5. Não tem profissão exercida, não tem renda fixa, tem 3 filhas de menor idade, uma estando sob sua guarda e as outras 2 sob a guarda do pai, por falta de recursos financeiros. A provedora tem diversas dificuldades, pois tem tentado superar a perda de seu companheiro, que veio a falecer no final de junho passado, também por falta de recursos perante a exclusão. Procura superar a perda com os amigos a quem dá amparo. Tem um namorado que vive em sua residência. O jovem tem dom para ser vocalista de repe e ela sente grande vontade de tirar cursos de desenho, pintura em quadro, e de tentar a área da computação. Se dispõe a voltar a estudar e vai tentar vaga no NASF para seu amparo durante os cursos, mas falta creche a suas filhas.